
Uma nova era
Na Parasha Vayechi, deparamo-nos com o encerramento de uma significativa era.
Após inúmeros episódios narrados no primeiro livro da Torá, que abrangem desde os primórdios do universo até as histórias dos patriarcas, matriarcas e seus descendentes, Bereshit conclui com o declínio da soberania dos filhos de Yaakov no Egito e o falecimento e sepultamento de Yossef.
Embora pareça um desfecho melancólico para um livro repleto de histórias e ensinamentos que orientaram gerações até os dias atuais, aqui também encontramos uma valiosa lição para nós. No entanto, para compreender esse desfecho, é crucial antecipar os episódios que se desdobrarão nos próximos livros.
Após Bereshit, iniciamos o segundo livro da Torah, Shemot, no qual uma nova fase na história do povo judeu se desenrola, com um novo Faraó e decretos visando escravizar os descendentes de Yaakov.
Serão 210 anos de escravidão que o povo judeu terá que suportar. Mesmo fisicamente quebrados pelas chicotadas e pelos trabalhos forçados, enfrentarão o desafio de manter seu espírito forte e vivo!
Qual seria a fonte de inspiração que impulsionaria os judeus no Egito a permanecerem fortes espiritualmente? De onde tirariam as forças necessárias para superar a escuridão espiritual do exílio?
“Yossef foi colocado num caixão no Egito”.
Os que ficaram no Egito não ficaram sozinhos; Yossef estará ao lado deles, lembrando que também podem elevar-se acima do exílio e transformá-lo em Redenção.
Ao concluir o livro de Bereshit, é-nos revelado que uma era marcada por figuras notáveis chega ao seu término. Essa jornada teve início com Avraham, o primeiro patriarca, que demonstrou uma fé inabalável em D’us em todas as situações que enfrentou. A saga culminou com Yossef, cuja vida incluiu eventos como a venda pelos irmãos e a ascensão ao trono no Egito, mantendo-se sempre conectado aos ensinamentos transmitidos na casa de seu pai. Apesar desse encerramento, é importante ressaltar que a nova geração prestes a começar não ficaria isolada ou desconectada de suas raízes ancestrais.
A presença de Yossef no Egito, apesar de já falecido, proporcionaria as ferramentas necessárias para nosso povo superar todas as dificuldades que enfrentariam nos próximos 210 anos de escravidão.
Podemos também aplicar isso ao nosso último exílio, que vivenciamos há quase dois mil anos.
Apesar dos desafios, é essencial reconhecer que não enfrentamos essa batalha sozinhos. Todos os nossos antepassados, pessoas que demonstraram força para enfrentar a escuridão e superar as dificuldades que ainda persistem hoje, são fonte de inspiração. É por meio de seus exemplos que encontramos fortalecimento para perseverar na luta até a chegada do Mashiach, que oramos para que ocorra em breve nossos dias Amen.
Shabat shalom.
Este artigo foi escrito para a elevação da alma de Simcha Bat Esther Z”l

