
Ilustração: @hannailustractions
Em sintonia com nossa essência
“ואלה שמות בני ישראל הבאים מצרימה… ראובן שמעון לוי…(א:א,ב)”
“Estes são os nomes dos filhos de Israel que vieram para o Egito; Reuven, Shimon, Levy”
Sobre este versículo na Parashá desta semana Parashat Shemot, o Midrash nos ensina: “Reuven, Shimon…, desceram para o Egito, e Reuven, Shimon…saíram do Egito.”
Os mesmos Reuven e Shimon que desceram ao exílio continuaram sendo os mesmos Reuven e Shimon que saíram do exílio, pois, nesse tempo, os filhos de Israel não mudaram seus nomes judaicos, expressando assim seu comprometimento em manter seu nível elevado mesmo nos momentos mais sombrios desse exílio. Eles mantiveram sua fé inabalável e a confiança completa em HASHEM, até nos momentos mais difíceis e duros da escravidão e trabalhos forçados.
Trazer os ensinamentos deste Midrash para nossas vidas e saber como aplicá-los nos trará mais clareza para os pensamentos que temos antes de tomar escolhas importantes em nossas vidas, especialmente no que se aplica ao nosso nível espiritual.
Passamos por momentos de “exílio” quando nos sentimos forçados ou obrigados a assumir certas condutas que não estão em sintonia com nossa verdadeira essência.
Por exemplo, sentimos que “precisamos” trabalhar no Shabat, pois é o dia mais lucrativo, e podemos justificar essa ação com atos de bondade e caridade usando o “lucro”.
Sentimos que “precisamos” ser o que é esperado de nós para não desapontar os outros, mesmo que isso vá contra nossos benefícios ou prejudique espiritualmente.
Também podemos achar difícil mudar nossos hábitos do passado, preferindo manter o “status quo” porque as mudanças são desconhecidas e desconfortáveis. Muitas vezes, mesmo vivendo no “exílio”, preferimos o conhecido e o confortável.
Sair de Mitzrayim é sair dos limites e confinamentos do passado, do que nos é conhecido e da nossa zona de conforto. A liberdade, a coragem e a força para fazer escolhas diferentes vêm justamente da essência da nossa alma.
Não somos subjugados nem escravos de uma mentalidade de vítima ou mártir. Somos livres! E com essa liberdade vem a alegria de assumir as rédeas de nossas vidas e avançar de acordo com nossos valores, ética e moral.
É justamente de nossos nomes judaicos que vem o poder dessa escolha. Os pais, ao dar o nome para seu filho, fazem isso com uma faísca de profecia, pois é o nome judaico que carrega a força e a diretriz da missão neste mundo.
Quando as matriarcas e patriarcas deram nomes para seus filhos, o fizeram profetizando que nesses nomes está investida a luz e a energia de suas almas.
Reuven, Shimon e todos os Shvatim mantiveram seus níveis espirituais mais elevados ao entrar no exílio porque seus pais os nutriram com a resiliência e força de serem autênticos e verdadeiros filhos de Avraham, Yitzchak e Yaacov, Sara, Rivka, Rachel e Leah.
Foi dessa forma que permaneceram fiéis aos seus nomes, como filhos de Israel, não trocando ou mudando seus nomes no exílio de Egito. Nunca somos “forcados ou obrigados” a ser ou agir em dissonância de nossa verdadeira essência.
Sempre temos a escolha de nos livrar das cadeias da escravidão espiritual, emocional e física deste exílio e, dessa forma, acelerar a vinda de Mashiach logo em nossos dias.

