A luta contra a indiferença

Frente aos eventos terríveis do dia 7/10, o mundo todo observou, mas permaneceu inerte. Crianças, idosos e mulheres foram sequestrados, e o planeta foi mero espectador de um silêncio ensurdecedor. Quanto ao abuso de jovens meninas, o mundo não apenas viu, mas revelou-se apático e indiferente diante dessa dolorosa realidade. A apatia do mundo foi tão longe a ponto de acusar Israel de genocídio na Corte Internacional de Justiça!!

Como diz o famoso ditado:

“O que preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

É interessante observar que, mesmo os “maus”, ao expressarem seus gritos, reconhecem a existência do bem. Existe uma luta, uma dinâmica entre o mal e o bem, onde o lado do mal reconhece a existência de seu oponente. No entanto, a indiferença age de forma muito mais insidiosa, como se o bem fosse totalmente irrelevante na vida daqueles que optam por permanecer indiferentes.

Enquanto os piores inimigos reconhecem as vantagens do oponente e trabalham para destruí-lo, a apatia cria um vazio, uma ausência de reconhecimento sequer da presença do oponente. Essa falta de relevância torna a luta contra a indiferença muito mais desafiadora e complexa.

Em um ensinamento do Midrash, Rabbi Acha bar Chanina diz:

“O benefício da terra está em sua totalidade.” (Kohelet 5,8)

“Mesmo coisas que você vê como se fossem desnecessárias no mundo, como cobras e escorpiões, fazem parte da criação do mundo.

E até mesmo os sapos, pois, se não fosse pelos sapos, como seria possível a vingança contra os egípcios na segunda praga?”

Essas palavras ecoam como um convite à reflexão sobre a complexidade da criação, destacando que até mesmo aquilo que percebemos como desnecessário, e até mesmo prejudiciais como cobras e escorpiões, desempenha um papel vital na ordem do universo.

Entretanto, surge naturalmente a pergunta:

Por que o Midrash destaca os sapos como instrumento divino para castigar os egípcios, considerando que Deus tinha à disposição outros meios para castigar os egípcios?

Além disso, é notável que a praga dos sapos não foi a única praga infligida aos egípcios, nem a mais intensa. Então, por que escolher os sapos como exemplo?

Para isso, devemos entender melhor o midrash citado acima.

O midrash nos ensina que toda e qualquer criatura deste imenso universo traz um benefício, porém eles se categorizam em três grupos distintos.

  1. Primeiramente, há aquelas que são naturalmente benéficas e boas para os seres humanos, como elementos fundamentais para a existência harmoniosa. O benefício proporcionado por eles é evidente.
  2. Em segundo lugar, encontramos os animais prejudiciais aos humanos como cobras e escorpiões, que, surpreendentemente, desempenham um papel crucial, criando espaço para o florescimento do bom e cuja presença pode, paradoxalmente, salvar-nos de perigos maiores.
  3. Por fim, há aqueles que não são nem bons nem maus, simplesmente existem como por exemplo os sapos que aparentemente não tem nenhum propósito.

O conhecido comentarista Isaac ben Judah Abarbanel, em sua análise das 10 pragas no Egito, afirma que as pragas não foram simples castigos ou vinganças, mas sim uma forma de educação e reeducação para os egípcios.

Cada praga foi projetada para transmitir uma lição específica e um ensinamento, uma oportunidade para os egípcios adquirirem novos conceitos fundamentais, como a existência de um Criador e Sua Onipotência.

Os egípcios eram indiferentes ao Criador e ao bem; a existência Dele não tinha relevância na vida de Faraó e dos egípcios.

”לא ידעתי את השם!”   “Nao conheço D”us”

Mesmo diante dos sinais que Moshe fez para eles, mantiveram seus corações duros e frios em relação ao povo judeu e à mensagem de Deus. Sua indiferença tornou-se uma barreira, impedindo-os de reconhecer a presença divina manifesta nas advertências.

Deus escolheu a praga dos sapos para dar uma lição importante aos indiferentes e apáticos à Sua existência. Os sapos, representam a neutralidade, uma área cinzenta na criação onde a dualidade de bem e mal não é claramente definida.

Os verdadeiros desafios surgem da apatia, representada por aqueles que não expressam nem o bem nem o mal. Essa indiferença gela qualquer possibilidade de avanço positivo, tornando-se uma força obstinada e fria diante de qualquer direção.

É por isso que a primeira cura de D’us para a frieza do Faraó foi recrutar sapos para realizar um milagre.

Demonstrar que, na verdade, não há absolutamente nada neste mundo ao qual possamos ser indiferentes, pois tudo no mundo tem seu sentido e motivo para existir. Até mesmo os sapos, a criatura que aparentemente personifica a indiferença, têm um propósito e um sentido.

Pois a indiferença não é uma opção em nossas vidas!

Escrito por Rabino Yossi Azulay
Este artigo foi escrito para a elevação da alma de Simcha Bat Esther Z”l
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